segunda-feira, 19 de julho de 2010
Taxi laranja e a Casa da Bosta
Todos os dias antes de ir trabalhar no seu taxi laranja, meu avô me levava para dar uma volta no quarteirão. Ele me levava para um lugar que as pessoas do bairro chamavam de casa da bosta. Eu sei que o nome, além de chulo, não é nada bonito, nem o cheiro era. Esse lugar era onde tratavam o esgoto, mas era lá onde meu avô combinava de encontrar a minha avó e me deixar com ela. Sei que era o momento de maior festa. Eu tinha as duas pessoas que mais amava tentando me fazer feliz. Toda manhã ele dizia: Vamos pra casa da bosta? Essa é a memória mais feliz da minha infância.
Sempre tive
Quando eu era pequena, eu costumava brincar de imaginar. Imaginava que o velho beliche era um navio e meus amigos e eu éramos os tripulantes. Imaginava que as flores com as pétalas eram meninas e as sem pétalas (maldade inocente minha), eram meninos. Imaginava que poças d’água eram piscinas (Bela não aprovou). Imaginava que em cima da minha varanda, passava disco voador. Eu não lembro quantos anos eu tinha, mas não era mais que 8. Aline e eu já tínhamos passado da hora de dormir, mas tudo bem, era férias. Estávamos brincando na varanda quando eu disse: Line, olha o disco voador. Nem lembro se ela chegou a olhar, mas ela correu desesperada pro quarto, e eu atrás. Não sei bem como ou quando, mas chegamos a conclusão que era apenas um avião, mas a noite acabou aí pra gente. É, eu sempre tive uma boa imaginação.
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